sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Suicide Note Pt. XI (Última Linha de um Corpo Cansado)


A depressão criou raízes no fundo do peito.
Sei que não tem jeito, o mundo não é perfeito.
Deitado em meu leito, remédios já não fazem o mesmo efeito;
escuridão tem meu apreço, para a morte eu aceno.

Para aqueles que duvidaram, hoje eu só lamento.
A depressão é um monstro que me devora por dentro;
nem sei por que tento, já tenho a resposta há um tempo,
apenas prolongando o inevitável fracasso que eu entendo.

Cada dia é uma batalha que não quero lutar;
a energia que tenho é insuficiente para levantar.
Não há consolo, não há alívio;
nos cortes, onde encontro o meu último respiro.

A mente está sempre em conflito,
perguntando se ainda há sentido nisso.
Entre prolongar a dor ou pôr um fim,
preso no meu próprio labirinto.

Não vejo sentido em acordar amanhã;
as obrigações são pesos que não consigo carregar.
Os dias sempre passam muito devagar,
como se esperassem que eu desistisse de esperar.

O futuro é uma página rasgada;
o passado é uma ferida aberta;
o presente é este quarto escuro,
meu último ato é o ponto final.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Jornada de quem não deveria estar aqui


A Jornada...
de quem não deveria estar aqui

Um campo de guerra que não tinha porquê existir.
Era soco, fumaça, e até bebida alcoólica eu tive que ingerir.
Eram remédios e som alto toda noite.
Ao invés de dar chutes, ficava no meu canto, em sua barriga, esperando o açoite.
E eu, tentando sobreviver dentro da minha própria mãe
logo ela, que deveria ser o meu primeiro escudo, 
mas virou meu primeiro mundo inseguro.

Algo pior aconteceu:
senti minha área de proteção ser invadida e alguém sussurrar baixinho:

"Não consegui impedir, e seu filho nasceu..."

A liberdade finalmente chegou, mas não a alegria.
Nove meses de maus-tratos, e depois, mais melancolia.
O lugar era escuro, como um túnel sem fim.
Me sentia um lixo jogado no esgoto,
depois de descobrir que tentaram um aborto.

Aquele dia foi a primeira vez que eu chorei,
E de lá pra cá, nunca mais parei.
Agora choro com mais vontade e convicção,
sabendo que eu fui fruto de uma indevida gestação.

Ela tentava de manhã, desistia à tarde, me largava à noite.
Eu escutava e via muita coisa absurda.
Minha querida até tentava, mas me jogava de mão em mão.
Fingia que cuidava de mim e, depois, ia pro baile rebolar a bunda.
Passava na mão de todos; acho que foi por essas mãos que eu nasci.

Ela com os olhos vermelhos de droga,
eu com os olhos vermelhos de choro,
esperando um abraço que nunca vem.
Enquanto ela se afunda, eu me perco também.

Aprendi tudo sozinho; não tive nenhum amparo.
Em processo de libertação e aceitação de não ser mais um produto usado.
Nesse mundo novo eu não estava nenhum pouco satisfeito,
mas já sabia que só a minha mãe não era boa mesmo.
Não era nem mais sobre ela, mas sim sobre quem eu sou,
lutando pra me encontrar num mundo de dor.

O tempo passou e, antes da escola, vi no jornal:

"Mulher morta em baile funk, violência brutal"
"Mulher é morta em baile funk e comove capital"
"Ela estaria envolvida com pessoas de facção rival"
"Ela deixa um filho de 7 anos de idade" 

E um sorriso em meu rosto, por saber que serei livre de verdade.

Libertação é um peso que pesa, mas alivia.
A dor não some, mas a vida me ensina a evoluir.
Não escolhi meu caminho, por mais difícil que fosse,
mas o passado não me define, só me fortalece.

"Mulher morta em baile funk deixa um filho pra trás..."
E o ciclo da vida continua a se reescrever.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Suicide Note Pt. X (Pós-crédito de uma vida)


Já morri tantas vezes por dentro
que o corpo apenas seguiu o roteiro.
Fingi viver em jantares, encontros familiares,
em sorrisos que doíam mais que a própria verdade.

O túmulo não é a cova,
é o quarto com a luz apagada,
o som do letreiro em um filme ecoando,
e a resposta sempre velada.

Escrevo agora como quem
já tentou ser protagonista
e agora escreve a lápide da própria alma:
aqui jaz alguém que tentou —
mas o mundo era um espelho que se rachou.

O tempo sangra, bem mais que uma cena.
As palavras são pregos na madeira,
e a vida… apenas uma cerimônia
onde o morto levanta e vai embora antes do fim.

Não me vistam de branco,
não cantem hinos de paz.
Minha participação foi silenciosa.
Quando eu mais precisava, ninguém estava
para ouvir o último disparo.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Nadando contra a correnteza

 

Me ajude a sair desse problema
Eu não consigo mais dar um passo à frente
Pergunta como eu me sinto, para ter certeza
Estou nadando contra a correnteza

Me ajude a sair disso
Sei que não consigo
É quase um ofício, então eu suplico
Por fora eu omito, mas por dentro sei como me sinto
É exaustivo, doloroso ver lá fora pessoas sorrindo
E aqui, dentro, pensando em acabar com tudo isso

Parece que foi ontem, ouvi meu nome
Deitado na cama, em sonhos, chorei um monte
A tristeza não esconde, mas me consome

Me ajude a sair desse problema
Eu não consigo mais dar um passo à frente
Pergunta como eu me sinto, para ter certeza
Estou nadando contra a correnteza

Tentei fingir, tentei mudar
Mas sempre algo volta para assombrar
Fantasmas do passado, família desestruturada
Relacionamentos falhos e a autoestima abalada

Me ajude a sair desse problema
Eu não consigo mais dar um passo à frente
Pergunta como eu me sinto, para ter certeza
Estou nadando contra a correnteza
Que, ano após ano, só aumenta a minha tristeza
A indiferença do mundo com quem precisa ser ouvido
Para os olhos ficarem coloridos, basta um ombro amigo

Eu via o mundo com confiança, achando que algo ia mudar
A confiança nas pessoas em quem eu acreditava, que só querem te apunhalar
Um mundo sem esperança é um lugar em que não quero ficar
Com uma bala na cabeça, serei livre para ir onde deveria estar.

Me ajude a sair desse problema
Eu não consigo mais dar um passo à frente
Pergunta como eu me sinto, para ter certeza
Estou nadando contra a correnteza

sábado, 25 de janeiro de 2025

Minha Dor

 

 

Eu não quero partir
Eu não quero sangrar
Por que a vida me trata como se eu fosse uma doença?
Eu não quero uma cura
Só quero ser eu mesmo
Exausto da vida, eu só quero ser livre

Mesmo que seja apenas um fragmento da mente
Seria difícil demais de explicar na sua forma divina
Ao mesmo tempo, ainda tento simplificar meus pensamentos nessas linhas
Passei a vida acreditando que essa vida não me pertence

Nunca percebi as coisas que tinha, até que elas me deixaram
É como se o meu próprio ser estivesse tentando me enganar
E quando se vão, é como se eu não conseguisse parar de lamentar
Agora nunca mais as terei de volta
São apenas memórias sem resposta

Como se o meu cérebro quisesse pregar peças
Como se ele quisesse que eu suma, fuja ou morra
Não consigo nem mais controlar
Uma engrenagem que está prestes a parar de funcionar

São muitas emoções...
Muitos meios destrutivos
Pessoas por aí se drogando... suicí... (pare)
Estou perdendo o foco
Me pergunto quem escreveu isso tudo?