Suicide Note pt II
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- Suicide Note pt. II
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
Jornada de quem não deveria estar aqui
A Jornada...
de quem não deveria estar aqui
Um campo de guerra que não tinha porquê existir.
Era soco, fumaça, e até bebida alcoólica eu tive que ingerir.
Eram remédios e som alto toda noite.
Ao invés de dar chutes, ficava no meu canto, em sua barriga, esperando o açoite.
E eu, tentando sobreviver dentro da minha própria mãe
logo ela, que deveria ser o meu primeiro escudo,
mas virou meu primeiro mundo inseguro.
Algo pior aconteceu:
senti minha área de proteção ser invadida e alguém sussurrar baixinho:
"Não consegui impedir, e seu filho nasceu..."
A liberdade finalmente chegou, mas não a alegria.
Nove meses de maus-tratos, e depois, mais melancolia.
O lugar era escuro, como um túnel sem fim.
Me sentia um lixo jogado no esgoto,
depois de descobrir que tentaram um aborto.
Aquele dia foi a primeira vez que eu chorei,
E de lá pra cá, nunca mais parei.
Agora choro com mais vontade e convicção,
sabendo que eu fui fruto de uma indevida gestação.
Ela tentava de manhã, desistia à tarde, me largava à noite.
Eu escutava e via muita coisa absurda.
Minha querida até tentava, mas me jogava de mão em mão.
Fingia que cuidava de mim e, depois, ia pro baile rebolar a bunda.
Passava na mão de todos; acho que foi por essas mãos que eu nasci.
Ela com os olhos vermelhos de droga,
eu com os olhos vermelhos de choro,
esperando um abraço que nunca vem.
Enquanto ela se afunda, eu me perco também.
Aprendi tudo sozinho; não tive nenhum amparo.
Em processo de libertação e aceitação de não ser mais um produto usado.
Nesse mundo novo eu não estava nenhum pouco satisfeito,
mas já sabia que só a minha mãe não era boa mesmo.
Não era nem mais sobre ela, mas sim sobre quem eu sou,
lutando pra me encontrar num mundo de dor.
O tempo passou e, antes da escola, vi no jornal:
"Mulher morta em baile funk, violência brutal"
"Mulher é morta em baile funk e comove capital"
"Ela estaria envolvida com pessoas de facção rival"
"Ela deixa um filho de 7 anos de idade"
E um sorriso em meu rosto, por saber que serei livre de verdade.
Libertação é um peso que pesa, mas alivia.
A dor não some, mas a vida me ensina a evoluir.
Não escolhi meu caminho, por mais difícil que fosse,
mas o passado não me define, só me fortalece.
"Mulher morta em baile funk deixa um filho pra trás..."
E o ciclo da vida continua a se reescrever.
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